quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

A CÉRVICE DO TRIÂNGULO


Nas tortas travessas
da citadina e arriscada geografia amorosa
e no trautear baldias e vadias
árias
da árida
e ávida
vida
diária
e arisca
(às vezes encardida no ar
de pretenso filme noir)
por leituras travessas
− anversas e avessas −
descobri teu corpo
em longitudinais fatias (córtico-transversais) nas travessas
servidas nas noites de lua
cheia necessária ao escopo
de te arrancar o escalpo
virginal da orelha nua
e crua

(sem condimentos
grua
fermentos
ou paramentos)

Desde então te amo pois
− vertida e inadvertida (mesmo vestida) −
me levas a novo parágrafo de vida:
outro patamar
do tatear o amar
a dois
na escorregadia quilha
das trilhas
do abrir a escotilha
do inflável ponto gê-cedilha
(que provoca agradável e perturbável cosca
nas cascas
das crostas
das desnudas e entregues costas)
malocado na oasística miragem da ilha
dos frementes gozos ocultos
em digital slow motion
animal&visceral

(dissolutos em absoluto
e atuantes até em dias de luto
férreo culto
ou oculto ferro
no desterro
do erro)

Sem brida ou arreio
no seio
no maneio
no voluteio
do se dar por inteira
na bandeja da doideira
crepuscular do ser 2 em 1

(sob o atento zum
de minhas infladas&safadas
escleróticas suadas
e do ancião som do 3 em 1
há anos à espera de ser trocado
− tocado
pro lixo
de luxo
supérfluo)

Por isso
contigo quero fluir
e alongar a lombar
da cérvice
do triângulo do amor:
self-service
do prazer sem agonia
ou lassidão
− os amantes apenas lá se dão...

(e bem!)

Particular equinócio
nosso
de cada dia
tarde
noite
e tresnoite
dos eus
− com raios trovões chuvas e tempestades atribuídos a Zeus

(Benza Deus
Ave-Maria
amém!)

(Maria ave
de rapina de peles
ardentes também!)

Quero dialogar com tua pélvis
escutando Love me tender
do Elvis
− enquanto amarrotas e mordes a fronha
com bisonha
expressão risonha
entregue ao frege
do frigir
os ossos na candente cunha
e/ou desgastas a cartilagem
da delicada unha
lilás
quando do arranhar do amasso nos fundos da garagem
ou do dar no couro do banco de trás
do provecto Ford

Quero mergulhar nas perigosas ondas
e traiçoeiras marolas
marotas
que brotam
dos gotejantes poros das grotas
de teu tsunami desejo subcutâneo

(por mim domado no leito
com enérgico dó de peito
dopado de Nescafé
e certeiro e elegante
beijo
sabor queijo
− picante
até)

Me entranhar nas coxas e grutas
arquejantes pela entrega
e nelas pescar a rara pérola bruta
(de titânio)
da antítese da dor calcificada
na fria e insalubre calçada
do viver descalço
de calor etéreo
e venéreo

(nem um: sequer insano)

No Natal
(que se aproxima)
quero te presentear com uma rima
ilegal
imoral
− misturando delicioso tender e esgrima
factual
de corpos pré-Carnaval

(que no momento ansiosos treinam para o evento
no quintal do samba ancestral
incrustado na atávica veia ruminante de gozos
que deliciam o gasto músculo do ocioso
cio
cioso
silencioso
e senil da velha
que picante suspira mastigando arfante
picles e tremoços
abraçada com as lembranças e as fotos do viril amante
moço
nas andanças
das virilhas
e axilas
− morto na doméstica lida sexual na bastilha:
garboso infante)

(Deus o salve
e o Diabo não o leve!)

Quero que tendas
a submergir no mar verde dos meus olhos
de espantos ca(n)sados
e plenos de espinhosos emocionais e psicodélicos abrolhos
plantados
no jardim do ontem-eu
e adubados
com o fogo roubado aos deuses por Prometeu

(que por castigo teve o fígado 30 mil anos devassado por serviçal águia)

Quero que entendas
(por debaixo dos labirintos da anágua)
as necessárias contendas
implícitas à decodificação dos nós das rendas
da tecida
manha
de que o melhor que tens a fazer é entrar desvestida
(no cedo da manhã)
em minha tenda
de ardiloso&manhoso cigano
das quintessências das letras
línguas e grafias do insano
− ambidestro e sem terno −
e pegar no sempiterno baralho
esperto e aberto
na carta do prazer certo
eterno
e terno
− contudo mundano
e com talho
profano

(e nele ler teu perto futuro
nas tetas
fendas e gretas
do intestino
destino)

Um conselho ansiolítico e narcótico:
deves manusear e bolinar os naipes no escuro
quando a adolescente coruja
tossir em cima do paleolítico muro
enquanto assiste a fervente tape erótico
aguardando que surja
seu companheiro de enduro
de velozes asas

Para te seduzir
− ateu
a teu
que sou −
roubei a religiosa receita da mamãe Noel:
1 kg de tender
¼ xícara (chá) de mel
1 xícara (chá) de suco de laranja
1 xícara (chá) de vinho branco
1 lata de abacaxi em calda
6 colheres (sopa) de calda de abacaxi

(sagrados ingredientes
que devem ser jogados no vermelho veludo
interior dos videntes
chapéus
do mágico ou do ambulante menestrel
de entrudo
− quando da evidente
passagem do arco-íris no céu
em meado de outubro)

Adicionalmente:
uma flor comestível
alecrim
e cravo-da-índia
− o bastante para decorar
teu corpo nu e perecível

(minha linda)

De sobremesa
revigorante morango sobre a mesa
de teu reluzente quadril
de mandril
feliz

(cor de anis)

Na real:
contigo quero ter momentos fáticos
fálicos
enfáticos
debaixo do bornal
da emoção dos secretos ensejos
não publicados no jornal
dominical
ou ditos no sermão angelical
com pitadas de latim
ruim

(proferido pelo pároco amoral
e com bafo
e traço
de rum
num
rim
e no
baço)

Exercer meu lado canino
ou lupino
− dependendo da atmosfera ambiente
do distender do faro quente
ou do doce far-niente
absorvente
e supino

Te abrir a porta
da espacial nave
de meus especiais mistérios solúveis
e incríveis
desejos
suaves
tatuados na aorta
torta
− e liberar a comporta
e o código dos beijos
cifrados
e fora de órbita

(haja vista ser apenas andante
e sideral viajante
que enganado comeu pé de vira-latas arfante
e por isso só dorme em pé)

Regar o sertão de tuas palavras agrestes
e esperar o florir
de amorosa digitalização
no cangote

(antes do inefável bote
eivado de tesão
na epiglote)

Exercitar meu lado esconso
animal&cafageste
e alegre te irrigar com meu falo
caliente e rupestre

A título de intervalo
(cansado: velho cavalo)
sincero te falo:
nesses sacrossantos momentos não faço
falso
enunciado
e em atenção a teu comovente pedido alado
das mil e uma noites equestres
e quentes
ao lado
do edredom rajado
uivo
narro
uma aula sobre o modo subjuntivo
do suspeito sujeito composto
e conto
(pela enésima vez)
o alucinógeno e radical encontro
numa oracional quina de frasal canto
da lúbrica (tra)ficante consoante de ligação
com o ingênuo objeto direto
fantasiado de tirolês
(mané freguês!)
e decomposto
de quaisquer vadias
ou vazias
vaidades

Descomposto
na idade
mas reto
ereto
e inteiro
no tinteiro
sopro nuvens de libidinais
heptassílabos e sensuais
ênclises
doces
e caramelizadas nos lóbulos
de tuas trissilábicas e perfumadas orelhas
− por detrás
tal qual sagaz
lobo
matreiro
traquinas
useiro&vezeiro

(viciado no teu cheiro)

Saibas
sábia
potranha
que simples meneio teu
é uma ordem para levantar
(do descanso das entranhas)
o Himeneu
(filho de Apolo e Afrodite)
− tão teu
(apesar de meu)

Acredite!

Ah!
Um mau conselho pra finalizar:

Se acaso alteza fôsseis
vos diria
(em adição a um bom-dia):
descalçais o sapato alto da nobreza
arrancais e queimais o sutiã da realeza
o último invólucro
da pureza
(sem nenhum fulcro ou lucro)
e ledes
a tatuagem do texto
(impresso em minha arrebatada jugular)
sem sobressaltos
sedes
ou sustos no contexto
de cada página de toque de dedos
escusos em baixo da mesa
do bar
Alfredo’s

E se legendar o ocorrido em francês
eu surto!
(um prurido por realizar num qualquer mês)

Isso pra mim seria um luxo
um refluxo
de carinho
− um poema rabiscado no ninho
da epiderme...

Caso isso aconteça como não me apaixonar?
Tem culpa eu? − diz o sapeca e honorário
carioca da gema
arquiteto e genial mente
de estratagemas
onírico-sexuais no pertinente
horário
genital e venial
− genialmente concebidos
nos ir
e vir
do percorrer os sagrados oratórios da pós-pele

Afinal sou apenas sedentário
e urbanóide
bugre do asfalto selvagem
com olhar andróide
− prescrutador do amor e da dor −
embebido e embevecido
(portanto: embebivecido):

1) pelos cantos dionisíacos das esguias
sereias
lascivas e nuas nas areias
das teias
dos encantos à primeira vista nas veias
seminais
da paixão térmica e epidérmica
das pistas cervicais
da coluna

(com movimentos de enguia
elétrica
e uterinamente histérica
quando dos ais
ocasionais
de sempre em vez nunca é demais)

2) pelos convexos reflexos dos eletrificados trovões
no interior da alaranjada nuvem de néon
(light: semidesnatada)
que paira no oblongo
aquário logo
atrás da ruiva stripper
de fatais
luvas angelicais

(plenas de genitais digitais)

Não é não?
Amada!

PS1: Embora alcoólatra de latim arcaico
(consumindo dúzias de latas/mês
sempre recicladas)
meu desejo por ti é laico

(tal qual o de gato siamês
escalando escadas ao gosto do prosaico
freguês)

PS2: Quero que fiques
nidifiques
no solo
do meu sempre teu colo

(confuso
protruso
mas não obtuso e indigesto calo
ou galo)

PS3: quero ser o maestro ad perpetuum
da sinfonia de teus uis e ais
e reger teus gestos
lestos
contidos na escritura
da tessitura
do rosto e costas suados por prazer demais

(lida em braile
quando do baile
dos corpos íntimos)

MAQUINO, 18/22.X.08

Baú de osSOS virTUais (com afrocano picante tutano)