quinta-feira, 31 de dezembro de 2009
CARLOS HEITOR CONY: Nostalgia da verdade

RIO DE JANEIRO - Pequena (ainda) crise no setor militar neste final de ano. O governo deseja implantar um necessário Plano Nacional dos Direitos Humanos, que cria uma "Comissão da Verdade" para apurar torturas, mortes e desaparecimentos durante a ditadura militar, que durou 21 anos, de 1964 a 1985.
Dois comandantes, o do Exército e o da Aeronáutica, ameaçam se demitir caso o presidente da República não revogue alguns trechos do referido plano considerados revanchistas pelos chefes militares.
A Comissão da Verdade pretende apurar o que até agora não foi suficientemente apurado: o gênero e o grau da repressão militar durante os anos de chumbo. Muito já se apurou, mas não integralmente. Neste particular, o plano pode colocar realmente um ponto final na pesquisa macabra que vem sendo feita espasmodicamente, e sempre de forma incompleta.
O nó da questão, ao que parece, é a retirada do nome de algumas autoridades do regime que batizam pontes, prédios, estradas e obras públicas, como a ponte Rio-Niterói, outra ponte em Brasília e, espalhados pelo país, centenas de homenagens com o nome de civis e militares que se destacaram na repressão.
Bem, pelo menos aqui no Rio, ninguém se refere à ponte Rio-Niterói como a ponte marechal ou general isso ou aquilo. É simplesmente a ponte Rio-Niterói - e basta.
Evidente que é necessário apurar a verdade, apesar dos 24 anos passados. É uma lição para o futuro. O golpe de 64 não foi apenas de militares, que seriam os executivos da força. Muitos civis foram os inspiradores que cobravam das casernas um golpe de Estado contra o governo de João Goulart.
Pelo que parece, há uma certa nostalgia do desastre, grupos interessados em manter acesa a eterna luta do bem contra o mal.
Dois comandantes, o do Exército e o da Aeronáutica, ameaçam se demitir caso o presidente da República não revogue alguns trechos do referido plano considerados revanchistas pelos chefes militares.
A Comissão da Verdade pretende apurar o que até agora não foi suficientemente apurado: o gênero e o grau da repressão militar durante os anos de chumbo. Muito já se apurou, mas não integralmente. Neste particular, o plano pode colocar realmente um ponto final na pesquisa macabra que vem sendo feita espasmodicamente, e sempre de forma incompleta.
O nó da questão, ao que parece, é a retirada do nome de algumas autoridades do regime que batizam pontes, prédios, estradas e obras públicas, como a ponte Rio-Niterói, outra ponte em Brasília e, espalhados pelo país, centenas de homenagens com o nome de civis e militares que se destacaram na repressão.
Bem, pelo menos aqui no Rio, ninguém se refere à ponte Rio-Niterói como a ponte marechal ou general isso ou aquilo. É simplesmente a ponte Rio-Niterói - e basta.
Evidente que é necessário apurar a verdade, apesar dos 24 anos passados. É uma lição para o futuro. O golpe de 64 não foi apenas de militares, que seriam os executivos da força. Muitos civis foram os inspiradores que cobravam das casernas um golpe de Estado contra o governo de João Goulart.
Pelo que parece, há uma certa nostalgia do desastre, grupos interessados em manter acesa a eterna luta do bem contra o mal.
Fonte: Folha de S. Paulo, 31.XII.09 - Charge: Benett
quarta-feira, 30 de dezembro de 2009
quinta-feira, 24 de dezembro de 2009
quarta-feira, 23 de dezembro de 2009
Mais do mesmo

Depois do escândalo Arruda,
ex-governador Joaquim Roriz surge nas pesquisas como favorito para a sucessão no DF
UMA PESQUISA eleitoral pode provocar movimentos de surpresa, de torcida, de desalento ou de triunfo antecipado, conforme a tendência dos que dela tomam conhecimento. Poucas vezes, contudo, mostra-se capaz de produzir algum efeito cômico. Inclui-se nesta rara categoria o levantamento a respeito das intenções de voto no Distrito Federal, feito pelo Datafolha entre os dias 14 e 18 deste mês.
Como era de esperar, o atual governador do DF, José Roberto Arruda, vê pulverizados os índices que, antes do escândalo do mensalão brasiliense, asseguravam-lhe grandes chances de reeleição em 2010.
No final de novembro, veio a público o vídeo em que Arruda, estendido numa poltrona, recebia um maço de cédulas de seu assessor Durval Barbosa. Seguiram-se outras gravações, em que apaniguados do governador apropriavam-se de fartas quantias de dinheiro, ocultando-as como podiam - nos bolsos, nas meias, na cueca.
Desligado do partido, José Roberto Arruda não pode concorrer à reeleição. Caso inexistisse o impedimento legal à sua candidatura, teria no máximo 11% dos votos, segundo o Datafolha.
Surge então um novo favorito para 2010, e é nesse ponto que os números trazem seu inequívoco traço de comicidade, embora amarga. Ninguém menos do que o governador Joaquim Roriz (PSC), com cerca de 45% dos votos nas diversas simulações, apresenta-se como candidato mais forte ao cargo.
Não bastasse o fato de ter renunciado ao Senado em 2007, para evitar uma cassação, Roriz contava, no primeiro escalão de seu governo no DF, com os mesmíssimos assessores agora envolvidos no mensalão de Arruda.
Durval Barbosa - que, na condição de Secretário de Relações Institucionais do governo Arruda, distribuía os maços de dinheiro aos mensalistas - foi presidente da Codeplan (Companhia de Desenvolvimento do Planalto Central) durante duas gestões de Roriz no DF.
Eurides Brito, que aparece guardando notas e mais notas na bolsa, sem pronunciar palavra, foi secretária da Educação de Joaquim Roriz. Ao todo, Arruda manteve em sua administração 18 membros de alto escalão do seu antecessor, dos quais cinco puderam ser vistos nas gravações do escândalo.
Sai de cena Arruda; não da primeira vez, aliás. Renunciara a seu mandato no Senado, como líder do governo FHC, depois do escândalo da violação do painel eletrônico da Casa, em 2001. Volta ao palco Joaquim Roriz.
Embora seja cedo para atribuir a pesquisas eleitorais o valor de um prognóstico definitivo, os números do DF trazem uma desalentadora lição. Máquinas de favoritismo e irregularidade, geridas por hábeis populistas, dão o tom da política brasileira; paternalismo, pobreza, indiferença, impunidade e desinformação conspiram, como sempre, em favor do atraso e do descrédito das instituições; a ética - essa fica para depois.
Fonte: Folha de S. Paulo, Editorial, 23.XII.09 - Charge: Glauco
UMA PESQUISA eleitoral pode provocar movimentos de surpresa, de torcida, de desalento ou de triunfo antecipado, conforme a tendência dos que dela tomam conhecimento. Poucas vezes, contudo, mostra-se capaz de produzir algum efeito cômico. Inclui-se nesta rara categoria o levantamento a respeito das intenções de voto no Distrito Federal, feito pelo Datafolha entre os dias 14 e 18 deste mês.
Como era de esperar, o atual governador do DF, José Roberto Arruda, vê pulverizados os índices que, antes do escândalo do mensalão brasiliense, asseguravam-lhe grandes chances de reeleição em 2010.
No final de novembro, veio a público o vídeo em que Arruda, estendido numa poltrona, recebia um maço de cédulas de seu assessor Durval Barbosa. Seguiram-se outras gravações, em que apaniguados do governador apropriavam-se de fartas quantias de dinheiro, ocultando-as como podiam - nos bolsos, nas meias, na cueca.
Desligado do partido, José Roberto Arruda não pode concorrer à reeleição. Caso inexistisse o impedimento legal à sua candidatura, teria no máximo 11% dos votos, segundo o Datafolha.
Surge então um novo favorito para 2010, e é nesse ponto que os números trazem seu inequívoco traço de comicidade, embora amarga. Ninguém menos do que o governador Joaquim Roriz (PSC), com cerca de 45% dos votos nas diversas simulações, apresenta-se como candidato mais forte ao cargo.
Não bastasse o fato de ter renunciado ao Senado em 2007, para evitar uma cassação, Roriz contava, no primeiro escalão de seu governo no DF, com os mesmíssimos assessores agora envolvidos no mensalão de Arruda.
Durval Barbosa - que, na condição de Secretário de Relações Institucionais do governo Arruda, distribuía os maços de dinheiro aos mensalistas - foi presidente da Codeplan (Companhia de Desenvolvimento do Planalto Central) durante duas gestões de Roriz no DF.
Eurides Brito, que aparece guardando notas e mais notas na bolsa, sem pronunciar palavra, foi secretária da Educação de Joaquim Roriz. Ao todo, Arruda manteve em sua administração 18 membros de alto escalão do seu antecessor, dos quais cinco puderam ser vistos nas gravações do escândalo.
Sai de cena Arruda; não da primeira vez, aliás. Renunciara a seu mandato no Senado, como líder do governo FHC, depois do escândalo da violação do painel eletrônico da Casa, em 2001. Volta ao palco Joaquim Roriz.
Embora seja cedo para atribuir a pesquisas eleitorais o valor de um prognóstico definitivo, os números do DF trazem uma desalentadora lição. Máquinas de favoritismo e irregularidade, geridas por hábeis populistas, dão o tom da política brasileira; paternalismo, pobreza, indiferença, impunidade e desinformação conspiram, como sempre, em favor do atraso e do descrédito das instituições; a ética - essa fica para depois.
Fonte: Folha de S. Paulo, Editorial, 23.XII.09 - Charge: Glauco
sábado, 19 de dezembro de 2009
NATAL (microconto)

Na UTI, solicitou ao médico, no dia de Natal, um cigarro como presente especial.
Fumou pela abertura da traqueostomia, com gosto.
A seguir, fechou os olhos e se foi, mansamente ─ como cinza jogada ao mar.
Fumou pela abertura da traqueostomia, com gosto.
A seguir, fechou os olhos e se foi, mansamente ─ como cinza jogada ao mar.
MAQUINO, 24.XII.06
DIVINA SEREIA (microconto)
Teimando em equilibrar-se nos apesar-dos-pesares e em encontrar um corpo que o locupletasse, viveu infinda e vã esperança até o dia em que ouviu o fino canto da foice da morte: divina sereia do além-mar.
MAQUINO, 30.I.07
Manoel de Barros - Camões Guaicuru
Uma Didática da Invenção, do O Livro das IgnorãnçasI
Para apalpar as intimidades do mundo é preciso saber:
a) Que o esplendor da manhã não se abre com
faca
b) 0 modo como as violetas preparam o dia
para morrer
c) Por que é que as borboletas de tarjas
vermelhas têm devoção por túmulos
d) Se o homem que toca de tarde sua existência
num fagote, tem salvação
e) Que um rio que flui entre 2 jacintos carrega
mais ternura que um rio que flui entre 2
lagartos
f) Como pegar na voz de um peixe
g) Qual o lado da noite que umedece primeiro.
Etc.
etc.
etc.
Desaprender 8 horas por dia ensina os princípios.
IV
No Tratado das Grandezas do Ínfimo estava
escrito:
Poesia é quando a tarde está competente para
Dálias.
É quando
Ao lado de um pardal o dia dorme antes.
Quando o homem faz sua primeira lagartixa
É quando um trevo assume a noite
E um sapo engole as auroras
IX
Para entrar em estado de árvore é preciso
partir de um torpor animal de lagarto às
3 horas da tarde, no mês de agosto.
Em 2 anos a inércia e o mato vão crescer
em nossa boca.
Sofreremos alguma decomposição lírica até
o mato sair na voz.
Hoje eu desenho o cheiro das árvores.
IX
O rio que fazia uma volta atrás de nossa casa
era a imagem de um vidro mole que fazia uma
volta atrás de casa.
Passou um homem depois e disse: Essa volta
que o rio faz por trás de sua casa se chama
enseada.
Não era mais a imagem de uma cobra de vidro
que fazia uma volta atrás de casa.
Era uma enseada.
Acho que o nome empobreceu a imagem.
É em um pequeno quarto, no alto da casa, "escritório de ser inútil, isto é, de ser poeta", que Manoel de Barros prepara a "humanização das coisas" e a "coisificação do homem". Também inventa palavras, recorda-se de memórias que nunca existiram, dedica-se a uma poesia que tem o auge na construção do nada – tudo feito a lápis, em caderninhos por ele mesmo colados e pintados. Há um buquê de tocos de lápis velhos sobre a mesa – ele nunca os joga fora. Essa é a vida de vagabundagem que conseguiu adquirir: "Para escrever, é preciso ser vagabundo", acredita.
Uma rotina que só foi possível depois de muito trabalho. Autocondenado ao silêncio e à vida de fazendeiro por dez anos, Manoel rebelou-se e resolveu deixar a responsabilidade pelas terras nas mãos do filho, João. Foi quando se estabeleceu definitivamente na cidade de Campo Grande, aos 55 anos, para exclusiva dedicação à poesia, com idas semestrais ao Pantanal e visitas esporádicas ao Rio de Janeiro. Hoje, prefere o Pantanal da infância que viveu e da que ainda pode inventar, magoado com a degradação ambiental, o assoreamento dos rios e o avanço da fronteira agrícola. Venceu o prêmio Jabuti com O guardador das águas, em 1989, e com O fazedor do amanhecer, em 2002, e alerta que as águas e as alvoradas do Pantanal sofrem agora por abandono.
Aos 92 anos, Manoel de Barros continua em busca das miudezas. "Hoje, o meu olhar é ajoelhado no chão a ver os caracóis da terra, as rãs das águas, os lagartos das pedras", diz. A idade teima em o aproximar da infância. A surdez que o impede de ouvir as obrigações cotidianas e todas as coisas importantes, misteriosamente permite que ouça o tropel dos pássaros e a música de Brahms. A visão limitada, que dificulta a leitura de letras miúdas, serve para olhar bem de perto as formigas, as avencas e as violetas. Desbocado, diz aquilo que não gostaríamos de ouvir – e que até pode ser verdade. Para ele, seu último livro já foi escrito: Memórias inventadas: a terceira infância, que completa a trilogia de sua autobiografia ficcional. Se é possível que o autor personifique sua obra, Manoel atingiu a infância que narrou em seus versos.
Outra infância
Enquanto Nequinho brincava com as miudezas do chão, o pai, João Wenceslau Barros, fazia cercas, levantava acampamentos, cumpria a rotina da vida adulta no campo como capataz de fazenda. Do Beco da Marinha, beira do Rio Cuiabá, a família mudou-se para o Pantanal de Corumbá, extremo oeste do Mato Grosso do Sul. A criança foi criada naquele chão, brincando com sapos, lagartixas e tropas de formigas. Aos 13 anos, já atendia por Manoel de Barros, interno no colégio dos Maristas, cidade do Rio de Janeiro: leu, pela primeira vez, Os sermões, do padre Antônio Vieira, e descobriu o que era poesia. Apaixonou-se pela palavra, embora ainda não soubesse o que era paixão. Chamava isso de “dom”.
Uma capacidade primitiva e inocente, dedicada apenas a coisas sem importância: "As coisas sem importância são bens da poesia", explica. Procurou pelas palavras em toda a literatura quatrocentista portuguesa. Sofreu a revolução dos versos de Rimbaud. Aprofundou os estudos de linguística, tendo em mãos as palavras sagradas dos profetas bíblicos. Também estudou Direito, revezando as aulas com fugas para a Biblioteca Nacional, onde tinha encontro marcado com a poesia. Exerceu a advocacia, ainda que na primeira audiência tenha vomitado sobre o processo, na mesa do juiz.
Para se tornar poeta, desafiou o destino. Seguiu para uma viagem sem rumo, passando por Bolívia, Peru, Equador até chegar a Nova York, onde viveu por um ano, dedicado apenas à leitura da poesia norte-americana, às exposições de arte e à música barroca. "Aí, a minha vida virou", conta. A visão da miséria latino-americana lhe rendeu alguns poemas e o choque com o mundo civilizado exigiu a lembrança das coisas primitivas do Pantanal de sua infância. Resolveu construir imagens com palavras para fazer delas insetos, pássaros, águas e assobios.
Voltou ao Brasil, publicou o primeiro livro, Poemas concebidos sem pecado, e enfim soube o que era a paixão: conheceu Stela, com quem teve três filhos. Só aos 60 anos foi lançado para o grande público, confundindo a crítica e a imprensa com a falsa impressão de um poeta inato, bucólico, guardado no regionalismo pantaneiro. Foi fazendeiro, mas antes de calçar as botas já era plenamente poeta. Decidiu formar sua fazenda Santa Cruz apenas aos 44 anos, pai de família, autor de dois livros. Durante o período em que viveu no campo, não escreveu um só poema.
Se o mérito de Luis Vaz de Camões, o mestre, está na consumação de seus versos como idioma corrente, a feitura da própria língua, Manoel de Barros promove o contrário com a mesma grandeza: faz do idioma um revés, aplica-se a construções linguísticas que despertam o lado mais estranho da própria língua, ao mesmo tempo tão íntimo e compreensível. Se faltam os mares que influenciaram Camões, merecem destaque as lendas guaicurus do Mar de Xaraés – o mar do sertão pantaneiro, a fonte das águas que Manoel versou. E, como Camões, superou os limites da poesia.
Reinvenção da língua
A carreira de Manoel de Barros é marcada pela paciência – mais que pelas atribulações da vida, com publicações, em média, a cada cinco anos. A feitura do poema lhe toma tempo. É preciso que cada palavra seja desacostumada, talvez até destruída, reformulada. "Sempre achei a linguagem destroncada mais bela do que a comum. A linguagem é a minha matéria plástica", explica. É uma linguagem comparável ao ciclo das águas do Pantanal. As tribos de índios Guaicurus percorriam os desvãos do Pantanal, entre as cheias e as épocas secas, até que encontrassem os descampados ideais para viver. Manoel promove essa fuga constante a cada verso, subvertendo o curso da língua.
Com traduções para seis idiomas, incluindo catalão e alemão, neste último assinadas por Curt-Meyer Clason – tradutor que também se dedicou às obras de João Guimarães Rosa –, Manoel de Barros estreará na língua inglesa, no próximo semestre, com a antologia Birds for a Demolition. Foram traduzidos cerca de 70 poemas escolhidos livremente. “O que me atrai na poesia de Manoel é a invenção de palavras e o uso de estruturas gramaticais surpreendentes. Isso faz o leitor perceber a linguagem de uma maneira diferente e, por meio dela, perceber o mundo com um novo olhar”, explica Flávia Rocha, poeta e jornalista paulistana que auxiliou a premiada tradutora nova-iorquina Idra Novey na pesquisa para a primeira tradução do poeta para o inglês.
O jornalista Bosco Martins, que acompanhou durante os últimos 30 anos a vida cotidiana do poeta e seus encontros com personalidades, políticos, escritores e artistas, promete um livro-reportagem cujo lançamento acontecerá em breve, ainda sem título definido. Assim como a série fotográfica a que Lucas Barros, fotógrafo e neto do poeta, tem se dedicado. Um raro registro da intimidade da casa, da fazenda e da família, com chance de resultar em uma fotobiografia.
Nas telas de cinema, Manoel já se viu no longa-metragem documental dirigido por Pedro Cezar, a desbiografia oficial do poeta Só dez por cento é mentira, lançada em 2008 no Festival de Cinema do Rio de Janeiro. Essas aparições, ainda que apenas para contestar a versão romântica de um poeta tímido e recluso, são regalos de valor inestimável para os leitores. Embora ele ainda prefira as cartas, inclusive para fazer promessas, como no trecho que segue, desvendando um título e o enredo do que pode ser o seu novo livro: "A infância da palavra. Gosto da semente da palavra, que é a voz de Deus que habita nas crianças, nos tontos, nos profetas e nos poetas. Gosto da infância da palavra". ©
sexta-feira, 18 de dezembro de 2009
Inglesa de 75 anos arrasa na salsa
Sarah “Paddy” Jones, uma senhora inglesa de 75 anos que já possui sete netos, não é exatamente a velhinha frágil que alguém poderia imaginar para uma pessoa da sua idade.
Dançando salsa absurdamente bem, Paddy ganhou o primeiro prêmio no reality show Tu Si Que Vales, versão espanhola do programa America’s Got Talent. Paddy, inclusive, foi chamada de “a próxima Susan Boyle”, que depois de revelada pelo Britain’s Got Talent se tornou um dos maiores sucessos da internet em 2009.
Confira Paddy dançando:
Fonte: Epoca.globo.com/bombounaweb, 18.XII.09
Dançando salsa absurdamente bem, Paddy ganhou o primeiro prêmio no reality show Tu Si Que Vales, versão espanhola do programa America’s Got Talent. Paddy, inclusive, foi chamada de “a próxima Susan Boyle”, que depois de revelada pelo Britain’s Got Talent se tornou um dos maiores sucessos da internet em 2009.
Confira Paddy dançando:
Fonte: Epoca.globo.com/bombounaweb, 18.XII.09
Campanha iniciada pelo Twitter arrecada 78 mil livros para crianças
Heber Dias de Sousa, Laura Furquim Xavier e José Luiz Goldfarb nunca se encontraram pessoalmente. Mas, juntos, viraram uma espécie de Papai Noel de crianças que têm pouco acesso a livros.
Em outubro, eles criaram uma campanha pelo site Twitter, em que pediam aos seus leitores que, neste Natal, doassem exemplares para comunidades pobres.
O que começou com apenas 140 caracteres (espaço permitido para cada mensagem) foi parar em uma das maiores livrarias do país. A partir de hoje, a livraria Cultura colocará em todos os livros que vender em São Paulo, Campinas e Porto Alegre um cartão-postal, pedindo que os compradores participem da campanha.
A ideia começou com Heber, que, de forma despretensiosa, sugeriu em seu Twitter o presente a seus leitores.
Laura, professora de química em Minas Gerais, leu e gostou da ideia. Procurou, então, o apoio do Ministério da Educação e do Conselho de Secretários Estaduais de Educação. Ganhou pontos de doação em todos os Estados.
Goldfarb, curador há 19 anos do Prêmio Jabuti e professor da PUC-SP, seguiu na mesma direção. Com experiência em campanhas de arrecadação de livros, foi atrás de empresas que quisessem participar da iniciativa.
Desde que deixou o mundo virtual, a campanha "Doe um livro no Natal" já arrecadou 78 mil livros de literatura - didáticos não são aceitos.
Amanhã, um show da cantora Maria Rita, na Fundição Progresso, Rio de Janeiro, também se tornará um ponto de arrecadação. Quem doar um livro pagará meia entrada.
A meta do grupo é chegar aos 100 mil livros até o dia 23. Depois, a campanha continuará apenas nas unidades da Droga Raia, até 20 de janeiro.
Os livros recebidos serão entregues a bibliotecas públicas, dentro e fora das escolas. Os organizadores esperam presentear entre 300 e 500 salas de leitura, que podem atingir até 500 mil jovens. "Queremos encher as bibliotecas de literatura para que os jovens adquiram o hábito da leitura por prazer", diz Goldfarb. Para participar, é só acessar o blog da iniciativa para encontrar os pontos de doação: http://doeumlivrononatal.blogspot.com/
Fonte: Folha de S. Paulo, 18.XII.09, p/Talita Bedinelli e Fábio Takahashi, da reportagem local
Em outubro, eles criaram uma campanha pelo site Twitter, em que pediam aos seus leitores que, neste Natal, doassem exemplares para comunidades pobres.
O que começou com apenas 140 caracteres (espaço permitido para cada mensagem) foi parar em uma das maiores livrarias do país. A partir de hoje, a livraria Cultura colocará em todos os livros que vender em São Paulo, Campinas e Porto Alegre um cartão-postal, pedindo que os compradores participem da campanha.
A ideia começou com Heber, que, de forma despretensiosa, sugeriu em seu Twitter o presente a seus leitores.
Laura, professora de química em Minas Gerais, leu e gostou da ideia. Procurou, então, o apoio do Ministério da Educação e do Conselho de Secretários Estaduais de Educação. Ganhou pontos de doação em todos os Estados.
Goldfarb, curador há 19 anos do Prêmio Jabuti e professor da PUC-SP, seguiu na mesma direção. Com experiência em campanhas de arrecadação de livros, foi atrás de empresas que quisessem participar da iniciativa.
Desde que deixou o mundo virtual, a campanha "Doe um livro no Natal" já arrecadou 78 mil livros de literatura - didáticos não são aceitos.
Amanhã, um show da cantora Maria Rita, na Fundição Progresso, Rio de Janeiro, também se tornará um ponto de arrecadação. Quem doar um livro pagará meia entrada.
A meta do grupo é chegar aos 100 mil livros até o dia 23. Depois, a campanha continuará apenas nas unidades da Droga Raia, até 20 de janeiro.
Os livros recebidos serão entregues a bibliotecas públicas, dentro e fora das escolas. Os organizadores esperam presentear entre 300 e 500 salas de leitura, que podem atingir até 500 mil jovens. "Queremos encher as bibliotecas de literatura para que os jovens adquiram o hábito da leitura por prazer", diz Goldfarb. Para participar, é só acessar o blog da iniciativa para encontrar os pontos de doação: http://doeumlivrononatal.blogspot.com/
Fonte: Folha de S. Paulo, 18.XII.09, p/Talita Bedinelli e Fábio Takahashi, da reportagem local
quinta-feira, 17 de dezembro de 2009
ESQUINA (miniconto)

Havia esquecido as palavras.
Logo, nada emitiu além de um
Logo, nada emitiu além de um
?Nãããããã? ao ser brutal, rápida e mortalmente apunhalado na esquina.
No chão, seu corpo demarcou as ruas e a camisa branca perdeu a metáfora de paz.
No chão, seu corpo demarcou as ruas e a camisa branca perdeu a metáfora de paz.
MAQUINO, 30.X.06
Cartaz com José e a Virgem na cama gera protestos na Nova Zelândia

Igreja afirma que queria fazer pessoas pensarem sobre significado real do Natal
Um outdoor colocado do lado de fora de uma igreja anglicana da Nova Zelândia, mostrando a imagem da Virgem Maria na cama com José, está provocando protestos de cristãos no país.
O outdoor traz a legenda Poor Joseph. God was a hard act to follow ("Pobre José. Foi difícil vir depois de Deus", em tradução livre), sugerindo que a cena ocorreu após a Concepção do Menino Jesus.
Segundo o vigário da igreja St. Matthew-in-the-City, Glynn Cardy, a ideia do cartaz era questionar estereótipos e promover o debate entre os fieis sobre o nascimento de Jesus Cristo.
Mas a Igreja Católica condenou o outdoor, chamando-o de "inapropriado" e "desrespeitoso". Apenas horas depois de ser exibido em público, o cartaz foi vandalizado com tinta marrom.
Sátira
O outdoor traz a legenda Poor Joseph. God was a hard act to follow ("Pobre José. Foi difícil vir depois de Deus", em tradução livre), sugerindo que a cena ocorreu após a Concepção do Menino Jesus.
Segundo o vigário da igreja St. Matthew-in-the-City, Glynn Cardy, a ideia do cartaz era questionar estereótipos e promover o debate entre os fieis sobre o nascimento de Jesus Cristo.
Mas a Igreja Católica condenou o outdoor, chamando-o de "inapropriado" e "desrespeitoso". Apenas horas depois de ser exibido em público, o cartaz foi vandalizado com tinta marrom.
Sátira
O vigário Glynn Cardy disse que o objetivo do cartaz era satirizar a interpretação literal da concepção de Cristo.
"Estamos tentando fazer com que as pessoas pensem mais sobre o sentido do Natal", disse ele à agência de notícias New Zealand Press Association (NZPA).
"(O Natal) tem a ver com um Deus espiritual masculino enviando seu sêmen para que uma criança nasça ou com o poder do amor em nosso meio?", questionou.
Cardy disse à NZPA que a igreja recebeu e-mails e telefonemas sobre o polêmico outdoor.
"Cerca de 50% disseram ter adorado, e cerca de 50% disseram que era terrivelmente ofensivo", disse ele, "mas foram cerca de 20 comentários sobre o cartaz. Isso é a Nova Zelândia."
"Estamos tentando fazer com que as pessoas pensem mais sobre o sentido do Natal", disse ele à agência de notícias New Zealand Press Association (NZPA).
"(O Natal) tem a ver com um Deus espiritual masculino enviando seu sêmen para que uma criança nasça ou com o poder do amor em nosso meio?", questionou.
Cardy disse à NZPA que a igreja recebeu e-mails e telefonemas sobre o polêmico outdoor.
"Cerca de 50% disseram ter adorado, e cerca de 50% disseram que era terrivelmente ofensivo", disse ele, "mas foram cerca de 20 comentários sobre o cartaz. Isso é a Nova Zelândia."
'Ofensivo'
A porta-voz da Diocese Católica de Auckland, Lyndsay Freer, disse que o poster era ofensivo para os cristãos.
"Nossa tradição cristã de 2 mil anos diz que Maria permanece virgem e Jesus é filho de Deus, não de José", disse ela ao jornal New Zealand Herald. "Um cartaz como esse é inapropriado e desrespeitoso."
O grupo de defesa dos valores familiares Family First disse que qualquer debate sobre o nascimento de Jesus de uma Virgem deve ser realizado dentro da igreja.
"Confrontar crianças e famílias com o conceito, com um outdoor na rua, é completamente irresponsável e desnecessário", disse o diretor do grupo Bob McCroskrie ao site de notícias stuff.co.nz.
"Nossa tradição cristã de 2 mil anos diz que Maria permanece virgem e Jesus é filho de Deus, não de José", disse ela ao jornal New Zealand Herald. "Um cartaz como esse é inapropriado e desrespeitoso."
O grupo de defesa dos valores familiares Family First disse que qualquer debate sobre o nascimento de Jesus de uma Virgem deve ser realizado dentro da igreja.
"Confrontar crianças e famílias com o conceito, com um outdoor na rua, é completamente irresponsável e desnecessário", disse o diretor do grupo Bob McCroskrie ao site de notícias stuff.co.nz.
Fonte: Globo.com G1/mundo/religião, 17.XII.09
VIVER A VIDA
Cadela de duas patas vira exemplo e ajuda vítimas e veteranos de guerra nos EUARejeitada pela mãe, Faith aprendeu a andar em duas patinhas
Hoje, ela e a dona rodam os EUA tentando motivar as pessoas
A cachorrinha Faith, que tem só duas patas, caminha em Nova York. Ela nasceu sem as patinhas dianteiras em 2002, em um abrigo de cães e foi rejeitada por sua mãe. Acabou sendo resgatada por Reuben Stringfellow, que então tinha 17 anos e passou a cuidar dela, com a ajuda de sua mãe, Jude Stringfellow.
Faith aprendeu a andar só com as patinhas de trás, com muita habilidade. Agora, ela roda os EUA ajudando as pessoas e foi nomeada sargenta honorária do Exército. Jude se tornou uma palestrante motivacional, escreveu dois livros e usa Faith como um exemplo 'canino' de superação.
No ano que vem, eles devem se mudar para Chicago, Illinois, onde Jude vai escrever um terceiro livro sobre as façanhas da cachorrinha. Entre as tarefas diárias de Faith, estão aparições públicas e visitas a hospitais de veteranos de guerra e de soldados feridos em combate.
A cachorrinha também adora interagir com crianças, segundo sua dona. A missão com Faith tornou-se especiail para Jude, cujo filho serviu no Iraque e está atualmente em uma base militar no Alasca, onde deve ficar até o final do ano.
Fonte: Globo.com G1, 17.XII.09 - Fotos: AP
quarta-feira, 16 de dezembro de 2009
Frase do dia em Copenhague

" O meio ambiente é, sem dúvida nenhuma, uma ameaça ao desenvolvimento sustentável"
Dilma Rousseff,
ministra-chefe da Casa Civil, que se enganou em seu discurso na COP 15 sobre as iniciativas brasileiras contra o aquecimento global
Fonte: revistaepoca.globo.com, 15.XII.09
ministra-chefe da Casa Civil, que se enganou em seu discurso na COP 15 sobre as iniciativas brasileiras contra o aquecimento global
Fonte: revistaepoca.globo.com, 15.XII.09
terça-feira, 15 de dezembro de 2009
Igreja de Brunelli altera texto da oração da propina
Dinheiro nas meias, na bolsa, na cueca. Quando muitos pensavam ter visto de tudo no escândalo político que assola Brasília há mais de duas semanas, aparece denúncia de nova fraude. Um dos oito deputados distritais investigados pela Polícia Federal, por meio da Operação Caixa de Pandora, Júnior Brunelli (PSC) é acusado de adulterar até a oração da propina.
De acordo com a Agência Estado, a igreja evangélica Casa da Bênção, de propriedade do apóstolo Doriel de Oliveira, pai de Brunelli, levou à internet a sua versão da oração da propina, divulgada pela imprensa de todo o país.
As imagens, que fazem parte do inquérito da PF, mostram Durval Barbosa, ex-assessor do governador José Roberto Arruda (DEM), e os deputados Brunelli e Leonardo Prudente (DEM) — aquele flagrado enfiando maços de notas de reais nas meias — rezando após distribuição de dinheiro aos parlamentares.
Segundo a agência de notícias, a página oficial da igreja na internet reproduziu a gravação do episódio, mas com uma nova interpretação. "Deus ouviu a oração de Brunelli. Arruda cairá a qualquer momento", diz o texto alterado.
A versão da igreja para a oração apresenta Arruda como adversário dos deputados, além de acrescentar um outro trecho à oração: "Eu quero entregar o Arruda nas tuas mãos, quero entregar essa equipe ímpia e má nas tuas mãos. Meu Deus, dá um jeito nesta situação, tire estes homens do nosso caminho, Pai", diz a versão levada à internet pela igreja.
Na versão da Casa da Bênção, Brunelli, Prudente e Durval são os três defensores do dinheiro público. Lutariam pela ética, a moral e a honestidade no governo do Distrito Federal.
No entanto, a nova e alterada versão da oração da propina foi retirada do site Casa da Bênção, na manhã desta terça-feira (15/12), após contato do repórter da Agência Estado.
De acordo com a Agência Estado, a igreja evangélica Casa da Bênção, de propriedade do apóstolo Doriel de Oliveira, pai de Brunelli, levou à internet a sua versão da oração da propina, divulgada pela imprensa de todo o país.
As imagens, que fazem parte do inquérito da PF, mostram Durval Barbosa, ex-assessor do governador José Roberto Arruda (DEM), e os deputados Brunelli e Leonardo Prudente (DEM) — aquele flagrado enfiando maços de notas de reais nas meias — rezando após distribuição de dinheiro aos parlamentares.
Segundo a agência de notícias, a página oficial da igreja na internet reproduziu a gravação do episódio, mas com uma nova interpretação. "Deus ouviu a oração de Brunelli. Arruda cairá a qualquer momento", diz o texto alterado.
A versão da igreja para a oração apresenta Arruda como adversário dos deputados, além de acrescentar um outro trecho à oração: "Eu quero entregar o Arruda nas tuas mãos, quero entregar essa equipe ímpia e má nas tuas mãos. Meu Deus, dá um jeito nesta situação, tire estes homens do nosso caminho, Pai", diz a versão levada à internet pela igreja.
Na versão da Casa da Bênção, Brunelli, Prudente e Durval são os três defensores do dinheiro público. Lutariam pela ética, a moral e a honestidade no governo do Distrito Federal.
No entanto, a nova e alterada versão da oração da propina foi retirada do site Casa da Bênção, na manhã desta terça-feira (15/12), após contato do repórter da Agência Estado.
Fonte: Correio Braziliense, 15.XII.09, p/Renato Alves
CARLOS HEITOR CONY: O palavrão do general

RIO DE JANEIRO - Um general de Napoleão, Pierre Cambronne, no final da tarde de Waterloo, vendo o desastre das tropas francesas, desceu do seu cavalo e disse uma palavra que era então considerada palavrão: "Merde". Definiu perfeitamente a situação, e não havia no vocabulário um termo que expressasse a sua raiva pela derrota.
Durante algum tempo, quando as cultas gentes queriam se referir à mesmíssima coisa, evitavam a palavra considerada chula e se referiam ao general francês. Dava no mesmo, os entendidos entendiam.
O tempo passou e, pouco a pouco, a palavra foi sendo admitida na literatura, no teatro e no cinema. E, sobretudo, no linguajar do homem comum, que, pelo menos uma vez ao dia, pronuncia a palavra para expressar a mesma revolta diante de um fato cotidiano.
Vai daí, muita gente reclamou de o presidente Lula ter usado a palavra para se referir aos seus propósitos de dar ao povo aquilo que os técnicos chamam de "saneamento básico". Todos sabemos que Lula é um presidente meio fora do esquadro. Suas origens são populares, e ele sabe tirar proveito disso, mantendo com o eleitorado um elo indestrutível, que passa pela língua presa, a cara afogueada e o vocabulário que, tal como o saneamento, é também básico.
Em outros tempos, haveria até pedido de impeachment para o presidente. Nos tempos de JK, uma revista publicou uma foto do presidente no banheiro, se barbeando. Aparecia, ao fundo, o vaso sanitário. A oposição, liderada pela UDN, articulou um pedido de impeachment. Os tempos mudaram.
Pessoalmente, nada tenho contra usar a palavra que todos usam sem escândalo, reconhecendo que, em certas ocasiões, expressa a mesma irritação do general francês diante da confusão e do descalabro de uma situação difícil e vergonhosa.
Fonte: Folha de S. Paulo, 15.XII.09
Durante algum tempo, quando as cultas gentes queriam se referir à mesmíssima coisa, evitavam a palavra considerada chula e se referiam ao general francês. Dava no mesmo, os entendidos entendiam.
O tempo passou e, pouco a pouco, a palavra foi sendo admitida na literatura, no teatro e no cinema. E, sobretudo, no linguajar do homem comum, que, pelo menos uma vez ao dia, pronuncia a palavra para expressar a mesma revolta diante de um fato cotidiano.
Vai daí, muita gente reclamou de o presidente Lula ter usado a palavra para se referir aos seus propósitos de dar ao povo aquilo que os técnicos chamam de "saneamento básico". Todos sabemos que Lula é um presidente meio fora do esquadro. Suas origens são populares, e ele sabe tirar proveito disso, mantendo com o eleitorado um elo indestrutível, que passa pela língua presa, a cara afogueada e o vocabulário que, tal como o saneamento, é também básico.
Em outros tempos, haveria até pedido de impeachment para o presidente. Nos tempos de JK, uma revista publicou uma foto do presidente no banheiro, se barbeando. Aparecia, ao fundo, o vaso sanitário. A oposição, liderada pela UDN, articulou um pedido de impeachment. Os tempos mudaram.
Pessoalmente, nada tenho contra usar a palavra que todos usam sem escândalo, reconhecendo que, em certas ocasiões, expressa a mesma irritação do general francês diante da confusão e do descalabro de uma situação difícil e vergonhosa.
Fonte: Folha de S. Paulo, 15.XII.09
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
A pulseirinha do sexo
Adolescentes com as “pulseiras da amizade”. Arrebentar a de outra pessoa é um convite à intimidade
Os jovens aderem à moda dos braceletes coloridos – muitos deles sem saber de seu significado erótico
São pulseiras comuns, que qualquer garota usaria para ir ao colégio, feitas de silicone, em cores vibrantes e de aparência inocente. Mas nos últimos dias passaram a deixar muitos pais preocupados com rumores sobre seu verdadeiro significado. Segundo um modismo que surgiu na Inglaterra e chegou ao Brasil recentemente, arrebentar a pulseira de determinada cor obrigaria o portador da pulseira a se submeter ao ato correspondente àquela cor. Pulseira amarela, por exemplo, equivaleria a um abraço. Pulseira preta, a sexo.
Não se sabe como surgiu esse código nem como ele se espalhou entre os adolescentes. Na Inglaterra, as pulseirinhas ganharam o nome de shag bands (algo como “pulseiras da transa”). Lá também surgiu o jogo chamado snap (estouro, na tradução do inglês) e o dicionário de cores. O assunto chamou a atenção da imprensa e virou motivo de alarde entre pais e educadores quando crianças do ensino fundamental começaram a usar as pulseiras.
Não demorou muito para a novidade se espalhar pela internet e chegar ao Brasil. Redes sociais como Orkut e Facebook têm comunidades dedicadas aos fãs das pulseiras. Uma delas já reunia 40 mil seguidores na semana passada, a maioria perfis de crianças e adolescentes. Embora seja comum encontrar jovens com o braço carregado de pulseiras, parte deles parece desconhecer seu significado. “Eu parei de usar quando descobri, mas vejo um monte de meninas do fundamental usando sem saber”, diz a estudante Bárbara Campos, de 15 anos, aluna de um colégio particular de São Paulo. Seu namorado, no entanto, ainda carrega três pulseiras no pulso: uma preta, uma branca e uma vermelha. “Se outra menina estourar as pulseiras dele, eu vou ficar muito brava.”
Vendidas por camelôs em qualquer cidade grande brasileira, a novidade ficou conhecida por aqui como pulseira cool (legal, na tradução do inglês), pulseira da amizade ou pulseira da malhação. Um pacote com 20 unidades, de cores sortidas, custa cerca de R$ 1. Entre os mais jovens e os que não levam o sentido do snap a sério, as pulseiras também resumem o “currículo” sexual da pessoa. Vale a mesma regra das cores: quem já fez sexo pode exibir sua pulseira preta. Os mais “populares” costumam usar a cor dourada.
Como pais e educadores deveriam reagir diante da conotação sexual de uma inocente pulseira de silicone? “Proibir não adianta, porque o adolescente pode se sentir excluído quando vir que os colegas continuam usando”, diz a psicóloga Denise Diniz, da Universidade Federal de São Paulo. “Os pais devem aproveitar a oportunidade para debater sexualidade em casa.” Os colégios se dividem entre proibir ou ignorar o uso das pulseiras. “Acreditamos que esse jogo não passe de um modismo, mas os pais podem e devem impor seus limites, sem alarde”, diz Silvana Leporace, coordenadora educacional do Colégio Dante Alighieri, em São Paulo. Modismo ou não, não custa nada para os pais dar uma olhadinha no que os filhos andam usando no pulso.
Fonte: Revista Época, Sociedade/Comportamento, p/Andres Vera, 11.XII.09
Não se sabe como surgiu esse código nem como ele se espalhou entre os adolescentes. Na Inglaterra, as pulseirinhas ganharam o nome de shag bands (algo como “pulseiras da transa”). Lá também surgiu o jogo chamado snap (estouro, na tradução do inglês) e o dicionário de cores. O assunto chamou a atenção da imprensa e virou motivo de alarde entre pais e educadores quando crianças do ensino fundamental começaram a usar as pulseiras.
Não demorou muito para a novidade se espalhar pela internet e chegar ao Brasil. Redes sociais como Orkut e Facebook têm comunidades dedicadas aos fãs das pulseiras. Uma delas já reunia 40 mil seguidores na semana passada, a maioria perfis de crianças e adolescentes. Embora seja comum encontrar jovens com o braço carregado de pulseiras, parte deles parece desconhecer seu significado. “Eu parei de usar quando descobri, mas vejo um monte de meninas do fundamental usando sem saber”, diz a estudante Bárbara Campos, de 15 anos, aluna de um colégio particular de São Paulo. Seu namorado, no entanto, ainda carrega três pulseiras no pulso: uma preta, uma branca e uma vermelha. “Se outra menina estourar as pulseiras dele, eu vou ficar muito brava.”
Vendidas por camelôs em qualquer cidade grande brasileira, a novidade ficou conhecida por aqui como pulseira cool (legal, na tradução do inglês), pulseira da amizade ou pulseira da malhação. Um pacote com 20 unidades, de cores sortidas, custa cerca de R$ 1. Entre os mais jovens e os que não levam o sentido do snap a sério, as pulseiras também resumem o “currículo” sexual da pessoa. Vale a mesma regra das cores: quem já fez sexo pode exibir sua pulseira preta. Os mais “populares” costumam usar a cor dourada.
Como pais e educadores deveriam reagir diante da conotação sexual de uma inocente pulseira de silicone? “Proibir não adianta, porque o adolescente pode se sentir excluído quando vir que os colegas continuam usando”, diz a psicóloga Denise Diniz, da Universidade Federal de São Paulo. “Os pais devem aproveitar a oportunidade para debater sexualidade em casa.” Os colégios se dividem entre proibir ou ignorar o uso das pulseiras. “Acreditamos que esse jogo não passe de um modismo, mas os pais podem e devem impor seus limites, sem alarde”, diz Silvana Leporace, coordenadora educacional do Colégio Dante Alighieri, em São Paulo. Modismo ou não, não custa nada para os pais dar uma olhadinha no que os filhos andam usando no pulso.
Fonte: Revista Época, Sociedade/Comportamento, p/Andres Vera, 11.XII.09
BATISMO DE SANGUE (microconto)
Durante a missa, percebeu a menina – três anos de idade – à frente da igreja, só. Um “lanchinho”, pensou. Rápido, a arrastou para um canto, a violentou e, após estrangulá-la, a jogou na pia batismal – onde agonizou por 30 minutos.Após o ato, persignou-se e lépido e sorrateiro fugiu da cena.
MAQUINO,5.V.07
FERNANDO RODRIGUES: Como nasce um coronel
BRASÍLIA - Há um elo entre os escândalos recentes e alguns personagens no Congresso. São os especialistas em minimizar danos de crises produzidas pela impostura própria ou de aliados.O epítome desse agrupamento atende pelo nome de Antonio Carlos Magalhães Neto, o deputado ACM Neto, do Democratas (ex-PFL, ex-Arena) da Bahia.
Aos 30 anos, neto de ACM (1927-2007) e sobrinho de Luís Eduardo Magalhães (1955-1998), o jovem deputado descende de uma oligarquia de raiz antidemocrática. Honra seu passado como pode. Neto, como é chamado, trabalhou neste ano na operação-abafa de três grandes casos: o do deputado do castelo, o das verbas indenizatórias e o do mensalão do DEM.
Eleito corregedor da Câmara em fevereiro, sua primeira obra foi adotar medidas protelatórias para esfriar o caso Edmar Moreira (à época no DEM), cujo nome ficou atrelado a um castelo kitsch no interior de Minas Gerais. Acusado de usar dinheiro público de forma irregular, Moreira foi absolvido.
Mais adiante, Neto viu-se diante de dezenas de deputados usando verbas indenizatórias (R$ 15 mil mensais) de forma criminosa. Deram notas fiscais frias, pagaram serviços de suas próprias empresas ou torraram os recursos em campanhas eleitorais.Tudo ilegal.
Quando já ia fazendo o que mais aprecia - ou seja, nada -, o corregedor da Câmara beneficiou-se com o estouro do mensalão do DEM. Nada como um novo escândalo para encobrir o anterior. Neto mudou o foco. Passou a defender a não punição imediata do governador de Brasília, José Roberto Arruda, acusado de comandar um esquema de distribuição de propinas.
Arruda está rumo à salvação. Saiu do DEM sem ser expulso. E as verbas indenizatórias gastas de maneira ilegal? Esses crimes Neto engavetará no ano que vem.
Fonte: Folha de S. Paulo, 14.XII.09
Cinismo hediondo
Projeto do Executivo para agravar penas em casos de corrupção é inócuo, pois não enfrenta o problema da impunidadeO ANÚNCIO do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de que encaminhará ao Congresso projeto de lei para agravar as penas previstas em casos de crimes de corrupção só pode ser recebido como mais um lance de marketing do primeiro mandatário.
A proposta é a um só tempo redundante e demagógica. Redundante por já existir na Câmara iniciativa para tornar "hedionda" a malversação de dinheiro público; demagógica por tentar fazer crer que o combate aos desvios dependeria do aumento das punições fixadas na legislação.
A atuação do presidente da República, no mensalão do PT, é exemplo de tergiversação e falta de rigor. Preferiu passar a mão na cabeça de apaniguados e, assim, alimentar a verdadeira causa da proliferação desses crimes: a expectativa de impunidade.
É a certeza de que haverá punição - mais que o tamanho da pena - o fator de desestímulo a práticas criminosas. Quem conta com a ausência de penalidades não está preocupado se está sujeito pela lei a cumprir dois anos de prisão a mais ou a menos.
A perspectiva de que o tema da corrupção seja esquecido nas próximas eleições, pelo fato de todas as facções terem sido flagradas em irregularidades, só aumenta o temor de que a vida pública continue a ser um caminho para o enriquecimento ilícito.
A tamanho descontrole, o eleitor reage com indiferença ou com tentativas de impor algum crivo ético. É o caso do projeto que pretende vetar a candidatura de políticos com "ficha suja", uma iniciativa popular, com cerca de 1,5 milhão de assinaturas, encaminhada ao Congresso.
Embora o intuito seja elogiável, é controvertido impedir que alguém se candidate antes de ser condenado em definitivo, após esgotadas todas as possibilidades de recurso. A iniciativa em tela, porém, pretende cassar os direitos de políticos condenados em primeira instância ou cuja denúncia criminal tenha sido aceita por um tribunal de segunda ou terceira instâncias.
Não seria difícil a um rival mal-intencionado promover a abertura de processos contra adversários e obter sua condenação em varas locais. Tribunais de Justiça - a cúpula do Judiciário estadual - seriam isentos ao julgarem adversários do grupo político que nomeou a maioria dos desembargadores? No caso de políticos com passagem pelo Executivo, é comum que sejam alvo de muitas ações judiciais. Não há saída a não ser aguardar o trânsito em julgado das ações.
O dilema é que, à luz de um sistema judicial moroso, a presunção de inocência pode tornar-se proteção de longo prazo para presumíveis culpados. Nesses casos, mais uma vez, a sensação de impunidade prevalecerá.
É preciso acelerar o trâmite dos processos sem tisnar a garantia fundamental da presunção de inocência. Acabar com a miríade de recursos protelatórios de defesa e impedir que casos simples tenham sempre de subir ao Supremo são iniciativas que apontam nessa direção.
A proposta é a um só tempo redundante e demagógica. Redundante por já existir na Câmara iniciativa para tornar "hedionda" a malversação de dinheiro público; demagógica por tentar fazer crer que o combate aos desvios dependeria do aumento das punições fixadas na legislação.
A atuação do presidente da República, no mensalão do PT, é exemplo de tergiversação e falta de rigor. Preferiu passar a mão na cabeça de apaniguados e, assim, alimentar a verdadeira causa da proliferação desses crimes: a expectativa de impunidade.
É a certeza de que haverá punição - mais que o tamanho da pena - o fator de desestímulo a práticas criminosas. Quem conta com a ausência de penalidades não está preocupado se está sujeito pela lei a cumprir dois anos de prisão a mais ou a menos.
A perspectiva de que o tema da corrupção seja esquecido nas próximas eleições, pelo fato de todas as facções terem sido flagradas em irregularidades, só aumenta o temor de que a vida pública continue a ser um caminho para o enriquecimento ilícito.
A tamanho descontrole, o eleitor reage com indiferença ou com tentativas de impor algum crivo ético. É o caso do projeto que pretende vetar a candidatura de políticos com "ficha suja", uma iniciativa popular, com cerca de 1,5 milhão de assinaturas, encaminhada ao Congresso.
Embora o intuito seja elogiável, é controvertido impedir que alguém se candidate antes de ser condenado em definitivo, após esgotadas todas as possibilidades de recurso. A iniciativa em tela, porém, pretende cassar os direitos de políticos condenados em primeira instância ou cuja denúncia criminal tenha sido aceita por um tribunal de segunda ou terceira instâncias.
Não seria difícil a um rival mal-intencionado promover a abertura de processos contra adversários e obter sua condenação em varas locais. Tribunais de Justiça - a cúpula do Judiciário estadual - seriam isentos ao julgarem adversários do grupo político que nomeou a maioria dos desembargadores? No caso de políticos com passagem pelo Executivo, é comum que sejam alvo de muitas ações judiciais. Não há saída a não ser aguardar o trânsito em julgado das ações.
O dilema é que, à luz de um sistema judicial moroso, a presunção de inocência pode tornar-se proteção de longo prazo para presumíveis culpados. Nesses casos, mais uma vez, a sensação de impunidade prevalecerá.
É preciso acelerar o trâmite dos processos sem tisnar a garantia fundamental da presunção de inocência. Acabar com a miríade de recursos protelatórios de defesa e impedir que casos simples tenham sempre de subir ao Supremo são iniciativas que apontam nessa direção.
Fonte: Folha de S. Paulo, Editorial, 14.XII.09
quinta-feira, 10 de dezembro de 2009
Coisas de estarrecer
Dilma se diz indignada com corrupção do DEM, enquanto o PT tenta reescrever a história de seu próprio mensalão"AS IMAGENS são estarrecedoras. Muito duras, muito claras". São palavras da ministra Dilma Rousseff a respeito das gravações que flagraram o esquema de distribuição de propinas patrocinado pelo governo de José Roberto Arruda, do DEM, no Distrito Federal. A candidata petista à sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva se disse ainda favorável a leis mais duras e cobrou agilidade da Justiça quando há "inequivocamente provas de corrupção".
Até aqui, seria difícil discordar. Abundam cenas estarrecedoras na política nacional, sem que a sociedade receba da Justiça respostas compatíveis à gravidade e à extensão dos escândalos que envolvem o patrimônio público.
Dilma, porém, que chegava a uma festa com mais de mil convidados organizada para celebrar os 30 anos do PT, aproveitou a ocasião para ressalvar que não há "provas contundentes" contra petistas que respondem a processo no escândalo do mensalão.
Não é de hoje que o alto comando do PT procura se aproveitar da popularidade de Lula para tentar reescrever a história, apagando crimes a seu favor. Retorna, agora, a fábula de que o mensalão petista, um esquema nacional de compra de apoio político capitaneado pela cúpula da legenda, não passou de recolhimento de "recursos não contabilizados" de campanha.
Ninguém com memória e informação cairia nessa esparrela. Vale recordar o que havia de "estarrecedor" no mensalão petista. A começar pelo uso indevido do dinheiro público.
O Banco Popular é só um - e bom- exemplo. Criado, no Banco do Brasil, para emprestar a pessoas de baixa renda, durante um ano e sete meses, sob a gestão de Ivan Guimarães, conseguiu a proeza de gastar mais em publicidade (R$ 24 milhões) do que em empréstimos (R$ 20 milhões). A empresa que se beneficiou da publicidade, sem que se tenha feito nenhuma licitação, foi a DNA de Marcos Valério.
Seria o caso de recordar ainda outros exemplos "de estarrecer" envolvendo este governo: a procissão de deputados, petistas e aliados, que se formou na boca do caixa do Banco Rural para receber quantias várias de mensalão; o jipe que uma empresa beneficiada por contrato milionário da Petrobras deu de presente a Silvio Pereira, ex-secretário-geral do partido; o dinheiro na cueca com que foi flagrado um assessor do irmão de José Genoino, então presidente do PT; a violação do sigilo do caseiro que denunciou atividades envolvendo Antonio Palocci - a lista de escândalos graves é longa.
Poderia ainda incluir o caso dos "aloprados", quando, na campanha de 2006, um grupo de petistas foi flagrado com malas de dinheiro sujo, numa operação para atingir a campanha tucana.
Se a vida partidária se nivelou por baixo e os costumes políticos estão degradados, o governo Lula, por ação e conivência, é um dos grandes responsáveis. É bom ter isso em mente para que não se realize a profecia de Delúbio Soares, para quem o mensalão ainda iria virar "piada de salão".
Fonte: Folha de S. Paulo, 10.XII.09
quarta-feira, 9 de dezembro de 2009
Casa de R$ 1 milhão segue a luz do sol
Propriedade octagonal de um casal australiano roda para seguir os raios solares
Para quem não gosta de casa escura, essa propriedade é a solução dos problemas
Para quem não gosta de casa escura, essa propriedade é a solução dos problemas
Para quem gosta de uma casa bem iluminada, essa invenção inusitada é para ser celebrada
Um casal na Austrália construiu uma casa que pode rodar para seguir o sol. A propriedade de Luke e Debbie Everingham, em Wingham, New South Wales, pode ser rotacionada graças ao tablado sobre o qual ela foi construída.
Os quartos da casa, que é octagonal, foram desenhados para que mais luz do que a média entrasse na casa. E, pelo formato criativo da construção, ela também é mais espaçosa do que o usual.
Todos os quartos estão conectados ao núcleo central de encanamentos e fiação da casa. Para fazer a propriedade acompanhar o sol, um mecanismo é acionado por dois motores elétricos não maiores do que uma máquina de lavar e é controlado por meio de uma tela touch-screen na sala de estar. Assim, quando o casal busca mais sol na casa consegue isso com um simples clique.
O casal, que gastou R$ 1,15 milhão na construção e design da casa, disse que a ideia nasceu quando seu vizinhos discutiam como gostariam que fosse a próxima propriedade deles.
Eles comentaram que, se tivessem que começar a construir sua casa novamente, gostariam que ela fosse 14 graus mais ao norte. Ao que Everingham respondeu: “Não seria útil se a casa pudesse se mover?”.
“Naquele segundo, comecei a pensar. Peso? Na média, as casas pesam entre 20 e 30 toneladas. Peso não será a dificuldade. Formato? O formato retangular talvez não seja o ideal. Depois de experimentar formas octagonais e circulares, eu fiquei positivamente surpreso. Criei alguns protótipos”, disse Everingham ao jornal inglês The Daily Mail.
“É um lugar mágico para se viver, porque você pode aproveitar ao máximo o clima e os arredores. O único problema é que de vez em quando você fica um pouco desorientado”, afirma. Já pensou dormir e acordar a cada dia com uma paisagem diferente na janela?
Fonte: Época NEGÓCIOS Online, 9.XII.09
Os quartos da casa, que é octagonal, foram desenhados para que mais luz do que a média entrasse na casa. E, pelo formato criativo da construção, ela também é mais espaçosa do que o usual.
Todos os quartos estão conectados ao núcleo central de encanamentos e fiação da casa. Para fazer a propriedade acompanhar o sol, um mecanismo é acionado por dois motores elétricos não maiores do que uma máquina de lavar e é controlado por meio de uma tela touch-screen na sala de estar. Assim, quando o casal busca mais sol na casa consegue isso com um simples clique.
O casal, que gastou R$ 1,15 milhão na construção e design da casa, disse que a ideia nasceu quando seu vizinhos discutiam como gostariam que fosse a próxima propriedade deles.
Eles comentaram que, se tivessem que começar a construir sua casa novamente, gostariam que ela fosse 14 graus mais ao norte. Ao que Everingham respondeu: “Não seria útil se a casa pudesse se mover?”.
“Naquele segundo, comecei a pensar. Peso? Na média, as casas pesam entre 20 e 30 toneladas. Peso não será a dificuldade. Formato? O formato retangular talvez não seja o ideal. Depois de experimentar formas octagonais e circulares, eu fiquei positivamente surpreso. Criei alguns protótipos”, disse Everingham ao jornal inglês The Daily Mail.
“É um lugar mágico para se viver, porque você pode aproveitar ao máximo o clima e os arredores. O único problema é que de vez em quando você fica um pouco desorientado”, afirma. Já pensou dormir e acordar a cada dia com uma paisagem diferente na janela?
Fonte: Época NEGÓCIOS Online, 9.XII.09
Protesto contra Arruda termina em confronto entre manifestantes e policiais no DF
Terminou em confronto a manifestação organizada pela CUT (Central Única dos Trabalhadores), movimentos estudantis e sociais nesta quarta-feira contra a permanência no cargo do governador José Roberto Arruda (DEM), que é suspeito de envolvimento em um suposto esquema de corrupção. Vários manifestantes foram presos e alguns foram feridos.
A Polícia Militar usou bombas de efeito moral, gás lacrimogêneo e gás de pimenta para dispersar os mais de 2.000 manifestantes que protestavam em frente ao Palácio do Buriti, sede do GDF (Governo do Distrito Federal) e do TJ-DF (Tribunal de Justiça do Distrito Federal).
A PM partiu para o enfrentamento depois que parte do grupo tentou interditar as duas pistas de acesso aos prédios públicos. Os manifestantes insistiram em ocupar as faixas de trânsito e a cavalaria da PM entrou em ação usando cacetetes. Pelo menos, 400 homens da PM participaram da operação.
O conflito ocorre um dia depois de cerca de 700 Policiais Militares terem sido acionados para realizar a reintegração de posse da Câmara Legislativa do Distrito Federal. O tumulto na Câmara local começou no final da manhã, quando o grupo pró-Arruda e os estudantes trocaram provocações nas galerias. Os estudantes ocuparam o plenário da Câmara por cinco dias para pressionar os deputados distritais a votarem o impeachment do governador. Já o grupo pró-Arruda chegou ontem ao local e passou a defender a continuidade do governo Arruda.
MÁRCIO FALCÃO
da Folha Online, em Brasília, 9.XII.09
Bezerro divino?

Um sinal em formato de cruz na cabeça de um bezerro está sendo interpretado como algo divino, em Rhode Island, nos Estados Unidos. O animal nasceu na última semana em uma fazenda produtora de leite, e foi batizada pelas crianças das redondezas com o nome de Moses (ou “Moisés”, na tradução para o português).
O proprietário do bezerro, Brad Davis, acredita que a tal marquinha branca seja um sinal dos céus. Entretanto, um especialista em pecuária leiteira da Universidade de Wisconsin-Madison, Ric Grummer, afirmou que não é incomum a bovinos da raça holstein, à qual pertence o animal, terem um sinal branco na cabeça. Mas confirma que o formato em cruz é único.
Fonte: Blog da Globo Rural, p/mcaetano, 9.XII.09 - Fotos: AP
O proprietário do bezerro, Brad Davis, acredita que a tal marquinha branca seja um sinal dos céus. Entretanto, um especialista em pecuária leiteira da Universidade de Wisconsin-Madison, Ric Grummer, afirmou que não é incomum a bovinos da raça holstein, à qual pertence o animal, terem um sinal branco na cabeça. Mas confirma que o formato em cruz é único.
Fonte: Blog da Globo Rural, p/mcaetano, 9.XII.09 - Fotos: AP
PAR E ÍMPAR (microconto)
O matemático, após cravar um garfo na jugular da mulher, exclama, enquanto com a mão esquerda limpa os respingos de sangue no próprio rosto:─ Somatizei os pares e ímpares da solidão! Arre, maldita!
© MAQUINO, 7.XII.09
terça-feira, 8 de dezembro de 2009
FERNANDO DE BARROS E SILVA: O teatro exemplar de Arruda
SÃO PAULO - A deputada enche a bolsa tamanho GG, que mais lembra uma sacola de feira; o dono do jornaleco enfia maços de dinheiro na cueca, ajeitando-os como dá entre a pança e a calça apertada; o presidente da Câmara Distrital recheia, um a um, os bolsos do paletó e, sem mais cavidades disponíveis, esconde o que resta da propina nas meias sociais. Refestelado no sofá, o governador dá instruções ao assessor enquanto se apropria, displicente, do volumoso bolo de notas.
São, antes de mais nada, cenas grotescas, plasticamente abjetas. Lembram até aquelas peças rudimentares de Juca de Oliveira, com seus efeitos de catarse barata.
Numa época em que a grande corrupção se tornou invisível e sua engenharia, mesmo quando desvendada, é de difícil tradução, o escândalo que consome o governo José Roberto Arruda nos devolve ao palco mambembe da falcatrua inequívoca, descarada e vulgar.
Há, neste caso de pistolagem política, traços típicos das regiões de fronteira, de ocupação recente, em que as instituições parecem estar ali apenas como cenário de um filme western. O faroeste caboclo de Arruda não deixa de evocar, por exemplo, a Rondônia de Ivo Cassol.
Mas Brasília é também a capital da impunidade, a cidade que propicia aos governantes a sensação de viver não numa terra sem lei, mas acima dela. Isso, é óbvio, tem relação com seu isolamento geográfico, com a redoma que preserva o poder do contato e da pressão popular.
Tipo à primeira vista anódino e apagado, Arruda foi, na sua origem, afilhado político de Joaquim Roriz, o coronel do cerrado. Soube fazer a ponte entre a velha política da clientela, voltada às cidades-satélite, e a geração dos predadores pós-modernos do Plano Piloto, a exemplo do seu vice, Paulo Octávio, ou do ex-senador Luiz Estevão. Nos anos FHC, o governador tentou envernizar a biografia ingressando no PSDB. Não deu muito certo. Nem coronel, nem yuppie, nem tucano, Arruda, o Democrata, tem um pouco disso tudo na sua biografia torta.
São, antes de mais nada, cenas grotescas, plasticamente abjetas. Lembram até aquelas peças rudimentares de Juca de Oliveira, com seus efeitos de catarse barata.
Numa época em que a grande corrupção se tornou invisível e sua engenharia, mesmo quando desvendada, é de difícil tradução, o escândalo que consome o governo José Roberto Arruda nos devolve ao palco mambembe da falcatrua inequívoca, descarada e vulgar.
Há, neste caso de pistolagem política, traços típicos das regiões de fronteira, de ocupação recente, em que as instituições parecem estar ali apenas como cenário de um filme western. O faroeste caboclo de Arruda não deixa de evocar, por exemplo, a Rondônia de Ivo Cassol.
Mas Brasília é também a capital da impunidade, a cidade que propicia aos governantes a sensação de viver não numa terra sem lei, mas acima dela. Isso, é óbvio, tem relação com seu isolamento geográfico, com a redoma que preserva o poder do contato e da pressão popular.
Tipo à primeira vista anódino e apagado, Arruda foi, na sua origem, afilhado político de Joaquim Roriz, o coronel do cerrado. Soube fazer a ponte entre a velha política da clientela, voltada às cidades-satélite, e a geração dos predadores pós-modernos do Plano Piloto, a exemplo do seu vice, Paulo Octávio, ou do ex-senador Luiz Estevão. Nos anos FHC, o governador tentou envernizar a biografia ingressando no PSDB. Não deu muito certo. Nem coronel, nem yuppie, nem tucano, Arruda, o Democrata, tem um pouco disso tudo na sua biografia torta.
Fonte: Folha de S. Paulo, 8.XII.09
segunda-feira, 7 de dezembro de 2009
CRIS ÁLIDA (miniconto)
Foi na adolescência que lhe nasceram asas ─ que chamavam a atenção de todos, pela exuberância multicor.
Contudo, tal milagre revelou-se fatal: um colecionador a viu, apaixonou-se e a caçou.
Desde então, pode ser encontrada sob uma moldura de vidro, presa por um punhal cravado às costas ─ de puro aço inoxidável, austríaco, com proteção anticorrosão.
MAQUINO, 7.XII.09
Contudo, tal milagre revelou-se fatal: um colecionador a viu, apaixonou-se e a caçou.
Desde então, pode ser encontrada sob uma moldura de vidro, presa por um punhal cravado às costas ─ de puro aço inoxidável, austríaco, com proteção anticorrosão.
MAQUINO, 7.XII.09
FERNANDO RODRIGUES: Quando o direito é um abuso
BRASÍLIA - A corrupção política padronizada em mensalões de ideologias diversas unificou também a forma como todos os acusados reagem. Não importa o partido nem a gravidade das provas. A primeira resposta obedece sempre à mesma lógica: "Não se deve prejulgar ou condenar antes de conceder amplo direito de defesa".
Trata-se de um binômio diversionista composto por um truísmo e uma malandragem. Primeiro, vem o pressuposto acaciano - todos têm direito a ampla defesa. Segundo, usa-se a estratégia infalível de deixar o tempo mitigar os efeitos negativos iniciais do escândalo.
O caso paradigmático é o do mensalão do DEM, em Brasília. Nunca houve tantos indícios de corrupção registrados em áudio, vídeo e documentos oficiais. Ainda assim, o Democratas decidiu conceder um prazo para o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, apresentar sua defesa. Só na quinta-feira desta semana decidirá se o expulsa ou não da sigla.
A expulsão é um ato político. Nada tem a ver com a defesa de Arruda na Justiça - processo no qual terá o máximo de tempo possível. Quando o DEM ainda se chamava PFL, em 1997, a legenda expulsou em apenas 24 horas dois deputados flagrados vendendo seus votos no episódio da aprovação da emenda da reeleição.
Não havia vídeos. Bastou a convicção do delito cometido.
A concessão de tempo a Arruda inexiste no cotidiano de brasileiros comuns. Quando o circuito interno de TV num edifício flagra um funcionário cometendo algo ilícito, não há hipótese de os condôminos darem uma semana de prazo para a defesa. Demite-se no ato.
O mais provável é o DEM expulsar mesmo Arruda. Mas o tempo concedido pode tornar o ato inócuo. Os advogados do governador já maquinaram uma contestação judicial. Se ele se mantiver filiado, mais uma vez o direito de defesa na política terá resultado apenas num abuso para evitar a punição.
Fonte: Folha de S. Paulo, 7.XII.09 - Charge: Jean
Trata-se de um binômio diversionista composto por um truísmo e uma malandragem. Primeiro, vem o pressuposto acaciano - todos têm direito a ampla defesa. Segundo, usa-se a estratégia infalível de deixar o tempo mitigar os efeitos negativos iniciais do escândalo.
O caso paradigmático é o do mensalão do DEM, em Brasília. Nunca houve tantos indícios de corrupção registrados em áudio, vídeo e documentos oficiais. Ainda assim, o Democratas decidiu conceder um prazo para o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, apresentar sua defesa. Só na quinta-feira desta semana decidirá se o expulsa ou não da sigla.
A expulsão é um ato político. Nada tem a ver com a defesa de Arruda na Justiça - processo no qual terá o máximo de tempo possível. Quando o DEM ainda se chamava PFL, em 1997, a legenda expulsou em apenas 24 horas dois deputados flagrados vendendo seus votos no episódio da aprovação da emenda da reeleição.
Não havia vídeos. Bastou a convicção do delito cometido.
A concessão de tempo a Arruda inexiste no cotidiano de brasileiros comuns. Quando o circuito interno de TV num edifício flagra um funcionário cometendo algo ilícito, não há hipótese de os condôminos darem uma semana de prazo para a defesa. Demite-se no ato.
O mais provável é o DEM expulsar mesmo Arruda. Mas o tempo concedido pode tornar o ato inócuo. Os advogados do governador já maquinaram uma contestação judicial. Se ele se mantiver filiado, mais uma vez o direito de defesa na política terá resultado apenas num abuso para evitar a punição.
Fonte: Folha de S. Paulo, 7.XII.09 - Charge: Jean
domingo, 6 de dezembro de 2009
sábado, 5 de dezembro de 2009
O CÃO, O GATO & O RATO
Uma cena inusitada foi filmada no estado do Texas (EUA). A emissora norte-americana ‘ABC News’ divulgou um vídeo que mostra um cachorro carregando um gato, que, por sua vez, leva um rato em suas costas
sexta-feira, 4 de dezembro de 2009
NUVEM DE BELEZA (microconto)

Casou-se com um faquir e com ele aprendeu várias abstratas artes. Dentre todas, a de que mais gostava era descansar no ar, levitando como suave, surreal e sensual nuvem de ímpar beleza.
MAQUINO, 4.XII.09
MAQUINO, 4.XII.09
Caixa de Pandora
Numa sequência de escândalos, partidos perdem condições de usar o tema da corrupção em suas campanhasEM POLÍTICA, declarou o líder do DEM no Senado, "pode-se perder tudo, menos o discurso". O raciocínio do senador Ronaldo Caiado destinava-se a defender a pronta punição do seu correligionário José Roberto Arruda, envolvido num escândalo capaz de desautorizar todas as usuais estridências do DEM ao denunciar o amplo histórico de irregularidades do governo Lula.
A levar em conta esse tipo de consideração, seria o caso de observar que não resta, aos principais partidos políticos em jogo, nenhum discurso coerente diante dos espantosos flagrantes de irregularidade que ocupam o noticiário cotidiano.
O acusador de hoje pode vir a ser o acusado de amanhã; da noite para o dia o falso rigor se resolve em cinismo escancarado, e denúncias contra um adversário, à primeira vista convenientes, não tardam em trazer motivos para o desconforto próprio.
Graves e muito consistentes: assim o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, classificou as revelações que atingiram seu correligionário no Distrito Federal. Noticia-se, entretanto, que uma das empresas acusadas de participar no esquema de Arruda, a Uni Repro, firmara contrato de prestação de serviços para a prefeitura paulistana, posteriormente copiado no DF. A chamada "carona" na licitação impõe, no mínimo, que se investiguem em detalhe as relações da Uni Repro com a gestão paulistana.
Atingindo em cheio um partido de oposição, eis que o caso Arruda vem trazer incômodos ao projeto sucessório governista.
O presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer, cogitado como nome do PMDB como vice de Dilma Rousseff, é citado num vídeo da Operação Caixa de Pandora, entre outros membros da cúpula do PMDB. O empresário Alcyr Collaço, filmado enquanto guardava dólares na cueca, aponta-os como beneficiários de uma propina mensal; Temer reage à menção, qualificando-a de "infâmia".
Outra operação da Polícia Federal, a Castelo de Areia, volta a citar Michel Temer. A construtora Camargo Corrêa é acusada de incluir seu nome numa lista de políticos que se beneficiaram de doações supostamente ilegais.
Também o PSDB paulista - com referências a Aloysio Nunes Ferreira, atual chefe da Casa Civil do governo Serra, e Walter Feldman, secretário de Esportes na mesma administração - vê-se acusado de receber quantias da construtora, entre 1996 e 1998. "São os primeiros sinais de um processo político que se avizinha", observou Feldman.
Não há como ter tanta certeza. Com PSDB, DEM, PMDB ou PT, é o mesmo processo, sempre, que se revela; e, no jogo sucessório para 2010, o mais plausível é que o tema da corrupção, como arma de campanha, não venha a beneficiar praticamente ninguém. Aos principais participantes, com efeito, "falta discurso" nesse tópico -se é que não irão tratar de inocentar-se mutuamente, dizendo-se todos vítimas de uma conspiração geral contra os homens de caráter.
Fonte: Folha de S. Paulo, Editorial, 4.XII.09 - Charge: Angeli
quinta-feira, 3 de dezembro de 2009
MARY BUTTERFLY (microconto)

Desde menina dormia nua, mas sua alma era tão calma, alva e leve que as borboletas sobre ela pousavam e a acariciavam e protegiam com as asas, para que não viesse a sentir frio ou solidão.
MAQUINO, 3.XII.09
Arruda abriu edital para comprar panetones no mesmo dia de operação da PF, aponta jornal

No mesmo dia em que a operação da Polícia Federal contra o "mensalão do DEM" foi deflagrada, na última sexta-feira (27), o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (DEM), montou uma licitação para a compra de panetones, segundo reportagem publicada nesta quinta-feira (3) pelo jornal Estado de S.Paulo.
Arruda e integrantes da cúpula do DF são acusados de participar de um esquema de propina. Um vídeo divulgado recentemente, gravado em 2006, durante a campanha do governador, mostra o momento da entrega de um maço de R$ 50 mil do ex-secretário de Relações Institucionais Durval Barbosa a Arruda. No fim de semana seguinte à operação, o governador alegou que o dinheiro seria para comprar panetones à população de baixa renda.
Arruda teria aberto o edital porque já sabia da proximidade da Operação Caixa de Pandora. O governo do Distrito Federal fixou a compra de 120 mil panetones para o próximo dia 10.
Os panetones devem ser entregues em 134 postos de distribuição de Brasília, além das cidades satélites de Riacho Fundo, Núcleo Bandeirante, Taguatinga, Brazlândia, Ceilândia, Samambaia, Recanto das Emas e Sobradinho.
Os primeiros 30 mil panetones devem ser entregues em até cinco dias após a assinatura do contrato - o restante deve ser liberado a cada três dias.
A assessoria de imprensa do governador foi procurada na manhã de hoje e afirmou que está apurando as informações. Já a Secretaria de Desenvolvimento Social negou que o lançamento do edital para a compra de 120 mil panetones tenha relação com a operação Caixa de Pandora. Segundo a secretaria, o mesmo número de panetones foi adquirido no ano passado para o programa social "Vida Melhor", que tem 120 mil famílias beneficiadas.
Em entrevista à Folha de S.Paulo, Arruda tentou explicar a entrega do dinheiro. "Para mim, pessoalmente, ele deu o que aparece naquele vídeo que apareceu, que deve ser de dezembro de 2004 ou dezembro de 2005. Foi para as minhas campanhas sociais de final de ano que eu faço há dez anos. Virou piada, porque é panetone, mas no fundo é verdade mesmo. Eu entrego panetone nas creches, nos asilos, tudo isso. Essa [doação em dinheiro de Durval] foi a única que eu recebi pessoalmente. Mas na campanha ele foi para o comitê. Ajudou muito", disse.
Fonte: UOL Notícias, em São Paulo, 3.XII.09 - Atualizada às 11h35
Arruda e integrantes da cúpula do DF são acusados de participar de um esquema de propina. Um vídeo divulgado recentemente, gravado em 2006, durante a campanha do governador, mostra o momento da entrega de um maço de R$ 50 mil do ex-secretário de Relações Institucionais Durval Barbosa a Arruda. No fim de semana seguinte à operação, o governador alegou que o dinheiro seria para comprar panetones à população de baixa renda.
Arruda teria aberto o edital porque já sabia da proximidade da Operação Caixa de Pandora. O governo do Distrito Federal fixou a compra de 120 mil panetones para o próximo dia 10.
Os panetones devem ser entregues em 134 postos de distribuição de Brasília, além das cidades satélites de Riacho Fundo, Núcleo Bandeirante, Taguatinga, Brazlândia, Ceilândia, Samambaia, Recanto das Emas e Sobradinho.
Os primeiros 30 mil panetones devem ser entregues em até cinco dias após a assinatura do contrato - o restante deve ser liberado a cada três dias.
A assessoria de imprensa do governador foi procurada na manhã de hoje e afirmou que está apurando as informações. Já a Secretaria de Desenvolvimento Social negou que o lançamento do edital para a compra de 120 mil panetones tenha relação com a operação Caixa de Pandora. Segundo a secretaria, o mesmo número de panetones foi adquirido no ano passado para o programa social "Vida Melhor", que tem 120 mil famílias beneficiadas.
Em entrevista à Folha de S.Paulo, Arruda tentou explicar a entrega do dinheiro. "Para mim, pessoalmente, ele deu o que aparece naquele vídeo que apareceu, que deve ser de dezembro de 2004 ou dezembro de 2005. Foi para as minhas campanhas sociais de final de ano que eu faço há dez anos. Virou piada, porque é panetone, mas no fundo é verdade mesmo. Eu entrego panetone nas creches, nos asilos, tudo isso. Essa [doação em dinheiro de Durval] foi a única que eu recebi pessoalmente. Mas na campanha ele foi para o comitê. Ajudou muito", disse.
Fonte: UOL Notícias, em São Paulo, 3.XII.09 - Atualizada às 11h35
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