terça-feira, 3 de agosto de 2010

MAÇÃ DO AMOR


Tua visão de
maçã aberta
e espraiada na cama
como apetitoso pecado
germinal
genial
genital:
a perda do paraíso registrada ante meus olhos pagãos
─ atônitos pela presença do belo

Como encarar tal miragem e permanecer lúcido
se tuas melenas
morenas
asfixiam a parca razão que ainda há em mim?

Te ver nua
me atomiza o cérebro de transcendentais
dúvidas ancestrais:
impossível saber se te comer
morder
linguar...

A casca do teu corpo
afogou meu juízo:
sou louco só!

(e sem guizo
no pescoço
de pouco osso
─ os que há são duros
dementes
e DNAmentes magros)

© MAQUINO, 1.VI.95 (revisto em 3.VIII.10)

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