Tarde de sol. Ao dar ré para estacionar, de leve (mas não o sabia) atinge uma morena chamada Fá ─ que claramente se desequilibra.Com dó de tê-la ferido, cai em si e corre ao seu encontro ─ a testa tensa. Vendo-a em perfeito estado, arfa e efetivamente satisfeito diz:
─ Que bom estar ilesa... Mil sinceras desculpas! Sou o Miguel, mas me chamam de Mi, pois canto num coral. [Suas bochechas brilhavam de emoção ao revelar tal fato e os lábios emitiam sinceridade no facial desenho]
Feitas as apresentações, identificaram entre relâmpagos de risos as recíprocas notas musicais. Então, olharam-se melhor e mais de perto: curiosa e acuradamente.
De súbito amantíssimos e delicados um com o outro, num ímpeto se deram as mãos e a seguir, saltitantes na calçada, descalços e alheios ao espanto dos demais passantes, com os olhos plenos do nada a esconder e repentina ebulição energética borbulhando nas abertas veias, de pronto passaram a compor uma sinfonia de pardais para se escutar no leito ─ a dois, preferencialmente.
© MAQUINO, 5.XII.11


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