
O vento que acariciante
silvou em meus braços e cabelos
seguiu
e alguns postes à frente
veloz entrou num zoológico
defendido por pacato gnomo violeta
senil
ilógico
e beatificamente belo
que com coloridas e engraçadas
italiana gravata borboleta
e indiana calça de seda bufante
─ e um broche de cogumelo na lapela de brechó ─
vendia imaginárias e comestíveis entradas
furta-cor
em forma de estrelas de origami
(e permitia a passagem apenas a quem as via)
Num átimo e de forma violenta
extirpou as manchas das girafas e as listras das zebras
desvelando os (sobre)naturais parafusos
fios
pavios
e engrenagens outras de uso
ortodoxo
e absolutamente necessário
que compunham o surreal paradoxo
anatômico de seu selvagem interior refratário
─ mas perfeitamente limpas e eficientes sim senhor!
("e trabalhando a todo o vapor" ─ entre aspas ressalte-se)
© MAQUINO, 13.VII.70 (revisto em 7.XII.11)


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