domingo, 5 de fevereiro de 2012

VERMELHA FLOR


Acordei

e me enfeitei

com variados colares

de cheiros evanescentes e estelares

para te atrair por inteiro

ao matreiro

universo caleidoscópico de meu digitalizado toque

sexual sotaque

e à instantânea ebulição de meu magro sangue

ao te ver exangue

arfante

e com as abertas veias

e pernas entregues às avenidas e vias

transversas

e travessas

do seminal e infinito prazer

de transitar por semáforos sempre verdes


estampado em tuas dilatadas pupilas

que se acendem e lançam relâmpagos

que navalham e retalham a noite

e nossas suadas intercostais paredes

como metafóricos idílicos archotes

quando do instante de teu gozo

apenas com o açoite

de minha língua

(110/220 volts)

ferina

áspera/macia

lasciva

e felina

no pernoite

do desabrochar da pele

que se abre

pulsa

e metamorfoseia

em emaciada e cristalina gótica

gota

de viva carne

crua

e nua

(com odor de naftalina do amor

e sabor de vermelha flor
diet)


© MAQUINO, 5.II.12 - Arte: Georgia O'Keeffe

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Baú de osSOS virTUais (com afrocano picante tutano)